Sua próxima moto será atualizada via app

Software assume o protagonismo na próxima geração de motocicletas - e tem DNA brasileiro.

Sua próxima moto será atualizada via app
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Durante mais de um século, a evolução das motocicletas foi marcada por mudanças incrementais. Uma melhoria no sistema de freios aqui, um novo motor ali. Mas agora, uma transição muito mais profunda está em curso: silenciosa, técnica e de longo alcance. Estamos à beira da era das motos definidas por software.

Esse conceito, já consolidado no setor automotivo com líderes como a Tesla, está prestes a ser lançado no universo duas rodas. A ideia é simples e poderosa: a inteligência do veículo passa a estar no software, não mais exclusivamente nos componentes físicos.

Um estudo da McKinsey estima que, até 2030, o mercado de software automotivo deverá crescer mais de 9% anualmente. Essa transformação, que muda a lógica de valor na indústria, tende a ser ainda mais disruptiva no setor de duas rodas, onde o nível de digitalização ainda é incipiente.

E as motos?

O setor de duas rodas tem historicamente menos atenção regulatória e tecnológica do que o setor automotivo. Mas isso está mudando. A popularização de motos elétricas para uso profissional (delivery, logística, deslocamento urbano) exige soluções mais inteligentes, seguras e conectadas.

Nesse cenário, a moto precisa deixar de ser um produto analógico com motor elétrico e se tornar uma plataforma digital sobre rodas. Só assim será possível integrá-la a sistemas urbanos, logística de last mile, redes de recarga e modelos de negócio baseados em dados.

O que é uma moto definida por software?

Uma motocicleta definida por software não é apenas conectada, ela é projetada desde o início para ser atualizável, programável e evolutiva. Isso significa que a maior parte de sua lógica de funcionamento, desde a aceleração até os modos de pilotagem, passando por recursos de segurança, rastreamento e performance, pode ser aprimorada remotamente ao longo do tempo, via atualizações OTA (over-the-air).

No centro dessa arquitetura está a VCU (Vehicle Control Unit), que funciona como o cérebro do veículo. É ela quem interpreta os sinais do condutor, executa os comandos, gerencia o desempenho e permite atualizações remotas. No caso da Auper, a VCU foi inteiramente desenvolvida internamente, o que garante total controle sobre segurança, evolução e integração com o ecossistema digital da moto.
 

Vehicle Control Unit (VCU) das motocicletas da Auper


"Estamos deixando de produzir veículos que envelhecem no momento em que saem da concessionária. Uma moto definida por software se comporta como um sistema vivo, que aprende, evolui e melhora ao longo do tempo", afirma Silvio Rotilli, CEO e cofundador da Auper, PhD em Engenharia Elétrica pela McMaster University.

Essa abordagem transforma a experiência do usuário e traz vantagens técnicas e econômicas significativas:

  • Redução drástica de custos de manutenção e recall, já que muitas atualizações passam a ser feitas remotamente;
  • Aumento do ciclo de vida do veículo, que continua recebendo melhorias contínuas;
  • Informação em tempo real, que alimenta melhorias futuras no produto com base no uso.

Por que isso muda tudo?

A mudança de paradigma é profunda porque afeta toda a lógica de produção. Enquanto a maioria das empresas ainda trabalha com integração de peças de fornecedores terceirizados, onde cada módulo tem sua própria linguagem, seus próprios ciclos de atualização e limitações, as fabricantes que dominam seu próprio stack tecnológico passam a ditar o ritmo de inovação.

Na Auper, esse controle total sobre hardware e software é uma escolha estratégica. "Projetamos tudo internamente: eletrônica, firmware, conectividade, aplicativo - e principalmente a nossa própria VCU, a unidade de controle veicular que atua como o cérebro da moto. Isso nos permite responder rápido ao mercado e com mais eficiência, além de garantir segurança de ponta, desde o núcleo da arquitetura", explica Alan Callegaro, CTO e cofundador da Auper, também PhD em Engenharia Elétrica pela McMaster University.

Essa autonomia proporciona:

  • Time-to-market mais curto;
  • Menos complexidade na integração de sistemas;
  • Mais segurança, com criptografia nativa;
  • Capacidade de escalar soluções sob medida para novos modelos e usos.

Por que poucas empresas estão prontas para essa virada?

Desenvolver uma arquitetura proprietária de software exige tempo, time altamente especializado e uma visão de longo prazo. Muitas grandes montadoras enfrentam obstáculos para internalizar a engenharia elétrica necessária - o que envolve não apenas criar uma nova vertical de negócios, mas reestruturar processos, fornecedores e times.

"É uma transição que não se faz com fornecedores plug-and-play. Exige uma cultura de tecnologia enraizada desde o primeiro dia", complementa Callegaro.

Isso abre espaço para startups nativas digitais, como a Auper, que nasceram com esse mindset modular, ágil e orientado a software como diferencial competitivo. "Os players que liderarem essa virada digital vão redefinir o setor de mobilidade urbana. O que aconteceu com os carros será replicado nas motos, agora com o software no centro da inovação", destaca Rotilli.


Sobre a Auper

A Auper, empresa brasileira especializada em tecnologia e mobilidade urbana, quer inovar no segmento, trazendo eficiência, segurança, longevidade e qualidade. Para isso, desenvolveu por completo software e hardware que garantem segurança, total controle da moto e flexibilidade. Os componentes refletem a visão, princípios e cultura da companhia, que tem como objetivo entregar inovação tecnológica para os amantes de duas rodas. Para mais informações, acesse o site.


Fonte: Gisele Gomes